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Sevilha, Medina-Sidonia e Granada - Portugal e Espanha - Parte 3

Categoria: Guias de viagens para fotógrafos Publicado: Quarta, 12 Dezembro 2018

Portugal e Espanha 2018 - Parte 3:

Depois de ler este artigo você pode ler as continuações:

Portugal e Espanha - Parte 1
Sevilha, Medina-Sidonia e Granada - Portugal e Espanha - Parte 3

Ah, fotografar no sul da Espanha é um sonho. Luz perfeita, lugares incríveis.

Este artigo não tem o objetivo de ser um guia de viagem. Pretendo apenas dar dicas para quem gosta de viajar com o objetivo de fotografar e sair um pouco do comum, dos pontos turísticos mais conhecidos.

Em Portugal e Espanha - Parte 1 dei dicas gerais da viagem, e em Portugal e Espanha - Parte 2: Fotografando em Lisboa falei de Lisboa. Agora vou falar um pouco do trecho espanhol da viagem.

 

Sevilha

Crece en la plaza en sombra
el musgo, y en la piedra vieja y santa

de la iglesia. En el atrio hay un mendigo...
Más vieja que la iglesia tiene el alma.
Sube muy lento, en las mañanas frías,
por la marmórea grada,
hasta un rincón de piedra... Allí aparece
su mano seca entre la rota capa.
Con las órbitas huecas de sus ojos
ha visto cómo pasan
las blancas sombras en los claros días,
las blancas sombras de las horas santas.
Antonio Machado - CRECE EN LA PLAZA EN SOMBRA

 
 

Sevilha é uma cidade linda demais, grandiosa, sua marca mais óbvia são as incontáveis igrejas católicas, que estão por toda a cidade, seus muros, portas enormes e janelas altas, que marcam a paisagem, determinam a largura das ruas e as cores da cidade. As ruas são estreitas e sinuosas, e isso é marcante para o olhar.

Sevilha é uma cidade única, com características muito próprias. Sua história é importante e parece fazer parte do calçamento das ruas tanto como as pedras. Sevilha foi um dos principais portos do império colonial espanhol, recebia todo o ouro e prata vindo das colônias na América. oi também a sede da Santa Inquisição. Durante a guerra civil espanhola foi local de muitas batalhas. Foi também capital de um poderoso reino mouro por mais de 500 anos, e muito dessa época está conservado, como o Real Alcazar e diversos jardins. A riqueza da época muçulmana e do Império é visível ainda, assim como a tristeza das guerras está marcada nas sombras.

Fotografar pelas ruas de Sevilha

Fazer street photography é andar muito pelas ruas das cidades. Andar por Sevilha é particularmente ótimo, a cidade é plana e a parte mais importante pode ser feita toda a pé. A cada esquina se vislumbra uma foto, as ruas são estreitas, casas altas, pessoas caminhando, paredes bonitas de prédios antigos. Os sevilhanos se vestem de forma elegante, em contraste com os turistas com roupas mais esportivas.

Nas ruas cheias e turísticas pode-se fotografar bem à vontade, ninguém liga, mas nas ruas mais vazias e residenciais algumas pessoas mais velhas olham feio, mas só isso. As ruas são seguras a qualquer hora, e a cidade continua cheia a noite.

De manhã o ritmo começa um pouco mais tarde do que estamos acostumados. E na hora do almoço (das 14h às 17h) muitas lojas fecham. No domingo e na segunda também tem muitas lojas fechadas, geralmente o que abre domingo fecha na segunda.

Se você for a todos os pontos turísticos mais famosos, como a Catedral e o Real Alcazar, vai acontecer duas coisas, você vai gastar muitos euros e perder muito tempo, esses locais costumam ter filas de horas. Se o objetivo for fotografar a cidade, fazer fotografia de rua, não vale muito a pena, busque locais mais do dia a dia da cidade. Vou dar umas dicas de coisas variadas mas sempre um pouco fora do mais óbvio.

Calentito con chocolate

Sabe os famosos churros, então, em Sevilha você vai achar, mas se quiser fazer bonito e agradar os sevilhanos, peço um “calentito con chocolate”. Para eles esse é o nome, churros é coisa de Madrid, que eles toleram para vender, mas não gostam de chamar assim. Uma calenteria bem legal e tradicional é a Calenteria Alfalfa, que fica meio escondidinha na Plaza de la Alfalfa, do lado do bar Manolo, é só uma portinha, mas vale a visita, que delícia. O detalhe é que só funciona de manhã, de terça a sábado acho.

Italica 

Se vai ficar alguns dia em Sevilha não pode deixar de ir ver Italica, as ruínas de uma legítima cidade romana, nas cercanias da cidade. É um local de uma beleza incrível, pelo menos nós nos sentimos muito emocionado por pisar nas ruas de uma cidade romana de mais de 2 mil anos. E o local é praticamente vazio, se comparado às atrações de Sevilha, mas é bem cuidado e a entrada é baratinha.

 

Segundo a Wikipedia “Itálica (em latim: Italica, em espanhol: Itálica) foi uma cidade da Hispânia, fundada em 206 a.C. pelo general romano Públio Cornélio Cipião Africano para os soldados romanos feridos na batalha de Ilipa, onde o exercito cartaginês foi derrotado. O nome Italica marca a colónia como de origem italiana. Em 1979 foi construído um dique para que as águas do rio não criassem cheias no anfiteatro que, com capacidade para 25 mil espectadores, foi um dos maiores do Império Romano.

Suas ruínas estão situadas ao norte da atual cidade de Santiponce, por sua vez nove quilômetros ao noroeste de Sevilha, Espanha.

Italica foi o lugar de nascimento do imperador romano Trajano e, possivelmente, de seu sucessor, Adriano.”

Endereço: Avenida Extremadura 2, 41970 Santiponce, Espanha

Alameda Hercules

Domingo é um dia muito interessante na cidade. O comércio normal está quase todo fechado, as atrações turísticas estão lotadas. Mas descobrimos que o pessoal da cidade vai em peso para a Alameda Hercules. Trata-se de uma grande e longa praça, com restaurantes ao redor, no meio feiras e esguichos d`água. Crianças e cachorros correndo, pessoas tomando sol, sorvete.

 

No meio da praça há duas colunas romanas, provavelmente retiradas lá de Italica. 

Num dia de sol em pleno inverno foi o local perfeito, cheio de gente alegre, sem aquela caa de turistas, nos sentimos um pouco sevilhanos.

Fim de tarde na beira do rio

 

O rio Guadalquivir é o coração da cidade, é o que a fez importante. Apesar de longe do litoral a cidade está ao nível do mar, e este grande rio trazia as caravelas vindas das Américas para a cidade. Hoje suas pontes são lindas e nas suas águas vemos barcos, caiaques e canoas, e nas suas margens as pessoas sentam para curtir a vida. No final de um dia de sol deve ser o melhor lugar para se estar na cidade.

Estação Santa Justa

 

Choque de cultura. Para um brasileiro ver uma estação enorme e moderna como essa, limpa, organizada, é um choque. Os trens então, enormes e velozes. Imperdível, mesmo que você não vá viajar de trem, não deixe de ver a linda estação. A região à sua volta é legal também pois é diferente da Sevilha tradicional, ali as avenidas são largas e retas, e um pouco mais para a frente tem um shopping, o Nervión Plaza, coisa rara por lá, e o estádio do Sevilha, colado ao shopping, vale conhecer.

Bairro Santa Cruz

 

O legal aqui é se perder. É o antigo bairro judeu, vielas muito estreitas, comércio, restaurantes. É um bairro lindo, onde fiz a maioria das fotos do meu livro Sombras de Paz e Solidão. Andar por lá sem mapa significa se perder, mas é ótimo se perder por lá.

 

Triana

Este é um bairro muito famoso mas já fora do centro, que vale a pena pelas suas ruas mais retas, com belos edifícios, seu comércio, mercado, vista. Vale a pena passar um período caminhando por lá.

Parte central da cidade a Ayntamiento

 

Entre a Catedral e o Ayntamiento (prefeitura) fica uma larga avenida, onde passa o moderno bonde elétrico. Essa região contrasta com o resto da cidade, apesar de estar bem no meio, com uma larga avenida e prédios imponentes, a luz fica até diferente por ali, vale muito a pena caminhar um pouco por ali.

 

Medina-Sidonia


Como se corta el suelo en La Zapata
tengo mi alma abierta en dos mitades
una, se quedó aquí, con mis verdades,
la otra vaga por el mundo hasta que muera
Y cuando eso ocurra,
que será cualquier día,
yo volveré de nuevo a tus alturas
desnudo, tal como vine al mundo,
y me haré agua o nube o cal o piedra
y podré gritar libre, sin rabas ni ataduras
que tu eres para mí no sólo un pueblo sino...
la mejor tierra de la Tierra.
Medina Sidonia - Paco Benitez Aguilar

 

Medina-Sidonia é uma linda cidadezinha branca, que ocupa um lado de um monte. Tem muitas histórias e muitos sabores, que aliás são sua marca atualmente.

Sua história é grandiosa. Considerada uma das cidades mais antigas da Europa, supostamente fundada por fenícios (por isso Sidonia) há mais de 3 mil anos, depois foi uma importante cidade romana. Foi uma das primeiras cidades tomadas pelos islâmicos na invasão ibérica no ano de 712, mas também foi uma das primeiras reconquistadas pelos cristãos em 1264, enquanto Granada foi a última em 1492, por isso tem o título de “la muy fiel”.

Medina-Sidonia é considerada a origem do alfajor, e outros doces, heranças muçulmanas (al-fajor = recheado).

 

Uma cidade, para mim que venho de uma metrópole, muito calma, devagar. Na hora do almoço as lojas fecham. Poucos carros passam. Nem parece que nessa cidadezinha de 10 mil habitantes pode caber tanta história. Mas a luz lá é especial, dizem ser o pôr-do-sol mais bonito do mundo, e acho que pode ser mesmo, pois se vê o sol se pondo no horizonte, em Cádis, há mais de 20 quilômetros de distância, e é uma experiência que se estende e parece durar mais que o possível. Em compensação, de manhã, o sol demora a chegar pois nasce atrás no monte, e só chega às pedras das ruas no final da manhã. Apesar disso a cidade é clara e cheirosa, antiga e renovada.

Andar, admirar e comer

Em Medina é fácil saber o que fazer, andar pela cidade, o que quer dizer pequenas distâncias e grandes ladeiras, admirar as paisagens e comer bem.

Sentar na praça central central e comer um doce tradicional, com receita milenar, admirando a cidade tão antiga, é uma experiência incrível. Na parte alta da cidade, além da incrível arquitetura, tem sempre a paisagem do vale à frente, pode-se ver dezenas de quilómetros de distância e até o mar em Cádis.

 

Tem poucos turistas e chamamos atenção fotografando. O trânsito na cidade é complicado, levamos bronca de um idoso por entrar na contra-mão, levamos multa por estacionar em local proibido. Estacionar aliás é tarefa quase impossível, mesmo em um dia calmo.

Granada

Tive a impressão de que esta cidade, que tem ao fundo montanhas nevadas, tem as sombras mais profundas que já vi. E com elas a solidão está por toda a parte, na cidade onde Federico García Lorca foi assassinado em 1936, um crime tão terrível que não é esquecido. Outros crimes terríveis aconteceram por lá, A última cidade muçulmana da europa, capitulou no ano de 1492, o mesmo em que Colombo chegou à América... o reino de Granada na verdade nunca caiu em guerra, a inexpugnável Alhambra se entregou após um acordo, que não foi cumprido pelos Reis Católicos, islâmicos e judeus acabaram expulsos do país. Lá estão sepultados reis e rainhas. Talvez os séculos de guerras e conquistas, que deixaram uma cultura muito rica, tenham cobrado seu preço. A paz está presente nas sombras profundas. Na praça vi crianças brincando tão alegremente. Nos espaços abertos a luz e cegante, mas nas ruas estreitas quase nos perdemos nas sombras. Pode ser também por ser a última cidade que visitamos, e já sentíamos falta de nossa própria terra.

La sombra de mi alma
huye por un ocaso de alfabetos,
niebla de libros
y palabras.
¡La sombra de mi alma!
He llegado a la línea donde cesa
la nostalgia,
y la gota de llanto se transforma
alabastro de espíritu.
¡La sombra de mi alma!
El copo del dolor
se acaba,
pero queda la razón y la sustância
de mi viejo mediodía de labios,
de mi viejo mediodía
de miradas.
Un turbio labirinto
de estrellas ahumadas
enreda mi ilusión
casi marchita.
(¡La sombra de mi alma!)
Y una alucinación
me ordeña las miradas.
Veo la palabra amor
desmoronada.
¡Ruiseñor mío!
¡Ruiseñor!
¿Aún cantas?
La sombra de mi alma - Federico García Lorca

 

Aviso importante, a cidade tem muitos morros, então andar por lá significa subir e descer muito. Só o centro é plano, a maioria das atrações envolve subir muita ladeira.

Alhambra

Apesar de super turístico não dá para perder, deve ser o lugar mais impressionante do mundo. Dica: não dê uma de ir a pé, pegue um ônibus ou taxi para subir, deixe para descer a pé se quiser.

Centro 

É muito bom andar pelas ruas do centro, são quase retas, você não se perde. É muito legal entrar em todas as vielas da Alcaiceria, o mercado popular árabe, e depois descansar na Plaza de Bib-Rambla, ao lado.

 

Percorrer toda a linda Calle Gran Vía de Colón também é muito legal para fazer boas fotos de street.

 

Cidade e picos nevados

Algo incrível em Granada é ver ao fundo os picos nevados e o Alhambra, é sempre legal tentar usar esse fundo.

Albaicín

 

O antigo bairro árabe é imperdível, especialmente sua parte baixa, que a partir do centro é plana, pela Carrera del Darro vai se entrando no bairro e além da beleza das ruas há várias atrações por ali, e sempre ao lado sobe um precipício com o Alhambra lá em cima.

Sobre o autor: Yuri Bittar

Yuri Bittar é designer, fotógrafo e historiador. Atua como designer gráfico, e desenvolve cursos de fotografia, exposições e as saídas Fotocultura, além de pesquisas sobre humanização no ensino da saúde. Através da história oral, da fotografia, da literatura e outros recursos, tem buscado criar projetos mais próximos ao humano e que contribuam para a melhora da qualidade de vida.

Contato: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  

Site: http://www.yuribittar.com 

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