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Portugal e Espanha - Parte 2: Fotografando em Lisboa

Categoria: Guias de viagens para fotógrafos Publicado: Quarta, 14 Março 2018

[Portugal e Espanha 2018 - Parte 2]

O que fotografar, o que fazer, por onde andar, onde ficar? Lisboa é uma cidade, para um brasileiro, ao mesmo tempo próxima e distante, familiar e estranha, mas com certeza muito atraente e linda. 

 No primeiro artigo, Portugal e Espanha - Parte 1, dei umas dicas gerais para a preparação da viagem, e neste vou falar de coisas mais específicas sobre Lisboa, dicas especialmente para quem gosta de fotografar pelas ruas da cidade. Lembro que normalmente tenho em mente a prática da Fotografia de Rua (street photography), que é o estilo de fotografia autorial que explora as ruas da cidade, a vida cotidiana, os acontecimentos comuns. Apesar do nome, a fotografia de rua pode também englobar outros espaços, como transporte público, parques, shoppings, galerias e qualquer lugar que seja, de alguma forma, extensão da rua. Existem algumas "regras" nesse estilo, que é claro que não são leis, você pode não segui-las, mas são elas que determinam o estilo. (saiba mais aqui)

A vida entre linhas
A Vida entre Linhas (Mouraria)

A ideia aqui é contar um pouco de como foi a minha estada por lá, o que mais curti, o que eu fiz, o que indico, o que não indico, etc, sempre com foco em fazer boas fotos e aproveitar a cidade. Ficamos apenas 6 dias na cidade mas foi muito intenso.

Eu e minha esposa fomos em fevereiro, final de inverno, pegamos dias de friozinho, bem, para quem é de São Paulo como eu foi até bem frio, de dia ficava entre 12 e 15 graus, as vezes menos, e cedinho era em torno de 2 a 6º. Fomos em um voo noturno e chegamos ao nosso apartamento por volta das 8h da manhã, e estava um frio de matar, um choque pois saímos de São Paulo com 30º. 

Aliás aviso que em Lisboa o pessoal não sai pra rua cedo como no Brasil, as 8h não tem quase ninguém na rua, a vida começa lá pelas 10h, pelo menos no inverno, já a noite...

1. A noite em Lisboa

Não deixe de fotografar as ruas de noite, os pisos antigos refletem os neons, as luzes que iluminam os edifícios tem muitas cores, os trilhos dos elétricos "se acendem" e as ruas ficam cheias de gente. 

Talvez você estranhe, mas em poucos se acostuma, mas é seguro andar pelas ruas a noite, bem diferente do Brasil. A coisa mais chocante para mim foi ver os caixas eletrônicos na calçada, e as pessoas sacando dinheiro tranquilamente, mesmo a noite. Claro que crimes existem né pessoal, mas pelo menos nas ruas principais da Baixa (Rua Augusta, Rua dos Sapateiros, Rua da Almada, Rua Garret - onde fica o Café A Brasileira e outras). Cuidado com ruas mais escondidas na Mouraria

Ruas lindas e seguras, não dá para perder né, recomendo caminhar a noite todos os dias. Ah, se chover as luzes se multiplicam e fica ainda mais lindo.


Rua da Misericórdia x Largo do Chiado


Mouraria, onde ficamos hospedados, esse era nosso caminho de volta para casa. 

2. Tudo é história

No centro de Lisboa as partes mais novas tem 200 anos, então tudo é história, tudo é antigo, repare nas lojinhas, algumas estão no mesmo lugar há gerações. É um gosto pessoal, mas recomendo estudar a história da cidade para ter uma ideia do que estará vendo. 

A região do Rossio, Praça da Figueira e Mouraria são algumas partes mais antiga da cidade, a Baixa é o bairro reconstruído após o terremoto de 1755, que destruiu quase tudo. Imagine como foi, uma cidade medieval, com casas antigas e coladas, muita madeira, de repente um forte terremoto derrubou quase toda a cidade, se seguiram incêndios, afinal dentro das casas sempre havia fogo para iluminação e aquecimento, quando tudo parecia um inferno veio um maremoto (Lisboa é ao nível do mar) e levou o pouco que estava de pé. A cidade foi destruída quase completamente, e o bairro da Baixa, que é o mais baixo da cidade, ficou arrasado. Então essa parte foi reurbanizada, com ruas retas e largas, ali foram construídos os primeiros edifícios com sistema anti-sísmico do mundo. 


Praça da Figueira, a minha primeira visão do centro de Lisboa, ao sair do metrô. Cito essa história toda pois percebi como isso marcou a cidade até hoje, a arquitetura, a enorme quantidade de hidrantes, e muitas outras coisas que me fizeram perceber como o terremoto marcou a cidade. Bom, isso foi minha impressão, você vai ter a sua, depois me fale. 

Caminhe pelas ruas sabendo que elas são pisadas há muitos séculos, mas ande com a curiosidade de ver tudo como novo. 


A Rua dos Sapateiros começa embaixo de um prédio, e de noite é muito linda, ainda mais se chover.

É bom lembrar também que Portugal era um país agrário e pobre até 1980 aproximadamente, e depois se beneficiou muito com a União Européia, assim, apesar de ser hoje um país moderno e onde se vive bem, os resquícios desse passado recente estão bem vivos. Aliás Portugal oscilou muito na história, foi por exemplo a nação dominante nos mares no século 16, e essa mistura de grandeza e quedas está em tudo.

3. Turistando

Lisboa é hoje uma das principais cidades turísticas do mundo. Mesmo em fevereiro, época tranquila, tinha muita gente, principalmente nos pontos turísticos, mas muita gente mesmo. 


Vista a partir da Torre de Belém

Por um lado tudo bem de fazer o que todos os turistas fazem e ir no locais mais famosos, mas lembre-se que ficará horas e horas na filas. Por isso acabei não indo em todos, se bem que fui na maioria, mas recomendo:

  • ir bem cedo, na hora que abre, assim escapa das filas maiores, pois o pessoal não acorda muito cedo, no Elevador Santa Justa por exemplo fiz isso, praticamente não tinha fila quando fui, umas 9h da manhã. Por outro lado esse mesmo local tem filas enormes no final da tarde, mas deve ser muito bonito o por do sol lá, só que você vai pagar com algumas horas perdidas em fila. 
  • No Mosteiro dos Jerônimos fui no meio do dia e fiquei umas 2h em pé na fila. Mas é um lugar lindo demais.
  • Algumas pessoas acham que nos lugares turísticos não dá para fazer fotos boas, mas isso é preconceito. Mesmo estando nos lugares manjados você pode procurar por imagens diferentes, use a criatividade, seja retratando os próprios turistas distraídos, ou até aproveitando para aquele self com a pessoa amada. 

    Com ela no Elevador Santa Justa


Vista a partir da Torre de Belém, e não é que achei os noivos!

4. Transporte

Um destaque em Lisboa são os transportes. O metrô é tranquilo, com belas estações e é sempre uma boa opção no seu caminho, se bem que é caro em comparação ao Brasil. 

Os eléctricos são os bondes, tem algumas linhas que são bem antigos, e em outras são novos. Vale a pena pegar os dois, é um ótima experiência. 

Os ascensores são os funiculares, espécies de elevadores para subir uma grande ladeira, são bem legais, mas são viagens rápidas. Tem o Elevador Santa Justa também. 


Metrô de Lisboa (Série A Vida Entre Linhas)

Tem muitas opções para pagar, eu adquiri um bilhete normal para pegar o metrô quando chegamos, vc coloca quanto crédito quiser. Na verdade aconteceu uma coisa muito legal, quando estávamos diante da máquina para comprar (não tem bilheteria com pessoas que te atendem, é só máquinas) uma mulher veio, falou algo que não entendemos, e nos deu dois bilhetes. Como estávamos na estação do aeroporto eu achei que eram vazios, ela ia embora e nos deu, assim iriamos economizar os 1,5 euros do bilhete e só teríamos que por crédito, mas ao colocar o cartão na máquina vimos que tinha saldo, e bastante, assim não precisamos colocar nada.


Elevador Santa Justa à noite

Tem ainda o Lisboa Card, um cartão que te dá acesso á todos os transportes na cidade e muitos museus, sem pagar nada a mais. Você compra ele por 1, 2 ou 3 dias, e nesses dias aproveita para andar nos Elétricos, Elevador, Ascensores, metrô e tudo mais, além de não pagar entrada em lugares como Torre de Belém e Mosteiro dos Jerônimos. Optamos pelo de 2 dias, custa 32 Euros, 16 por dia, e nesses 2 dias rodamos a cidade e andamos em tudo que deu! Vale a pena se andar bastante nesses dias, mas só a entrada para o Elevador Santa Justa é 5,50, e a Torre de Belém + Mosteiro é 12€, então se fizer os 2 no mesmo dia já vale a pena, fora o transporte até a Torre, já iria mais uns 3€ no minimo. Fiz um roteiro que peguei quase todos os ascensores na sequência. 


Metrô de Lisboa, 8h da manhã, cheio igualzinho em São Paulo!

5. Pessoas

Achei Lisboa perfeita para a fotografia de rua, as pessoas são tranquilas, não se incomodam, e muitos tem aquela elegância do velho mundo. No inverno muitos homens usam chapéu e sobretudo, as mulheres de salto, e tem uma variedade de tipos humanos incrível, entre turistas e moradores há gente do mundo todo e muitas se vestem de forma extravagante.

Há uma tranquilidade interessante, as pessoas param para conversar na rua, nos cafés, nas mesas da calçada, e caminham tranquilamente. Nas ruas agitadas do centro você tem dificuldade para fazer uma foto limpa, com uma pessoas apenas, por exemplo, mas por outro lado fotografa sem chamar a atenção, pois fica parecendo só mais um turista. 

ATENÇÃO: cuidado na mouraria, tem algumas ruas meio escondidas, com cara de cortiço, onde podem não gostar de te ver fotografando. Mas no centro, Baixa, Chiado, é muito sossegado, ninguém liga. 

6. Ruas estreitas

Isto é algo muito legal e diferente para os brasileiros, aqui raus assim tão estreitas não são tão comum, e geralmente são em "favelas" e não vamos muito para fotografar. Esses lugares aparteados são uma ótima oportunidade para fazer boas fotos! 


Mouraria

 
Mouraria - ficamos num apartamento nesse prédio rosa, alugado via Airbnb


Rua Nova do Carvalho, ou Rua Rosa, vale a pena passar por ela!

A Vida entre Linhas
O Bairro Alto permite algumas vistas incríveis.

7. Comida!!!

Bom, ir para Lisboa também é uma grande experiência gastronômica, claro. Não sou grande entendedor de comida, mas vou dar algumas dicas do que mais gostei e o que me salvou. 

Não somos muito de peixe, então perdemos muitos dos pratos tradicionais. Uma dica para economizar e comer bem, no Armazéns do Chiado (um pequeno shopping em ciam da estação Chiado) tem uma praça de alimentação com alguns bons restaurantes, comida típica portuguesa a um bom preço, recomendo o restaurante Pateo. 

Comi MUITOS pastéis de nata, todo dia umas 2x no mínimo. Tem o mais famoso o Pastéis de Belém (perto da Torre de Belém) que é muito antigo, mas é até engraçado, vende os pasteizinhos em todo lugar, se vende comida, tem, e todos são ótimos. O piór e mais caro foi o do aeroporto (a primeira cosia que comi lá). O do Café A Brasileira era muito bom, mas destaco A Padaria Portuguesa, é o "fast-food português", é uma salvação pois tem em toda parte e é sempre muito bom, a um preço razoável, e lá comi o melhor pastelzinho pois estava quentinho do forno. Vale a pena também os lanches, que els chamam de "sandes'. 

Pastéis de Belem

Os verdadeiros pastéis de belém (dica, como lá dentro, nas mesas, além de mais gostoso tem menos filas)

8. A cor e a cara da cidade

Uma coisa linda são as fachadas das casas, de azulejos, novas ou antigas, e tem as portas, só isso já daria fotos para toda a vida. 

E a luz de Lisboa, que é famosa, há teorias que explicam, mas você tem que ir lá e descobrir como ela é, se é especial e por que. Eu me encantei com as sombras, (veja a série aqui: http://www.yuribittar.com/new/index.php/portfolio/sombras-de-paz-e-solidao-2018 ). 

A vida entre linhas (Terreiro do Paço)
Terreiro do Paço, o centro oficial da cidade

A cidade tem sua "cara", seu estilo, mas cada um pode ver de uma forma diferente. 

Mais fotos: https://www.flickr.com/photos/yuribittar/albums/72157692963474384 

Agradeço especialmente á Clelma, que estava comigo em todas as longas caminhadas e aventuras pela cidade.
Eu e ela

Sobre o autor: Yuri Bittar

Yuri Bittar é designer, fotógrafo e historiador. Atua como designer gráfico, e desenvolve cursos de fotografia, exposições e as saídas Fotocultura, além de pesquisas sobre humanização no ensino da saúde. Através da história oral, da fotografia, da literatura e outros recursos, tem buscado criar projetos mais próximos ao humano e que contribuam para a melhora da qualidade de vida.

Contato: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Site: http://www.yuribittar.com

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