Alfajor no Lexicon Tetraglotton Dictionary de 1660

Quando digo que o ALFAJOR tem muita história, não estou exagerando. Nesse dicionário inglês-francês-italiano-espanhol, de 1660, publicado em Londres, alfajor aparece como o que nas outras línguas é o pão-se-pimenta. Isso não quer dizer que realmente sejam o mesmo alimento, mas mostra que o termo ALFAJOR já era conhecido até mesmo na Inglaterra no século XVII, provavelmente por ser alimento comum para os navegadores. 

 

 

Destaco que pimenta não quer dizer necessariamente que era "apimentado", mas pimenta é sinônimo de especiarias, portanto seria um pão (doce?) a base de especiarias, que tem a função dupla de conservar e dar mais sabor. Eu tive o prazer de experimentar o panpepato italiano recentemente, sente-se mesmo a pimenta, mas não é ardido, parece um torrone mais forte, e com temperos. É extremamente gostoso, e parecido como o  ALFAJOR de Medina Sidonia, da Espanha, que também provei e provavelmente é muito parecido com o alfajor da época desse dicionário, mas é mais macio e com tempero mais leve. 
 
 
 
Pelo que já estudei tanto o panpepato italiano como o próprio alfajor tem origens ligadas a longas viagens, o que exige fortes conservantes, que nessa época só poderiam ser naturais, como as especiarias e o mel, e também pede que sejam alimentos nutritivos, daí normalmente terem nozes, avelãs, etc. 
 
Podemos concluir então que todos esses doces nessa época eram pães feitos a base de farinha, pão ralado (farinha de rosca), mel, algum tipo de castanha e especiarias. Não eram recheados como se entende hoje, mas eram muito ricos na sua composição, sendo ideais como ração de viagem, pela durabilidade e valor nutritivo. 
 
Atualizado em 03/05/2021