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O QUE É SER FOTÓGRAFO(A) ?

Categoria: Artigos sobre fotografia Publicado: Sexta, 13 Março 2020

O fotógrafo, a fotógrafa, é alguém que, ao fixar um momento, criando uma imagem, está sempre em busca de colocar nesta todos os sentimentos, a beleza, a simplicidade, enfim, toda a vida do mundo, e nunca alcança isso definitivamente, por isso continua fotografando, sentindo que a cada imagem chega mais perto desse objetivo. 

(Uma pequena reflexão, não uma opinião fechada, fica como sugestão para pensarmos.)

(Foto ao lado: Yuri Bittar - Lisboa, 2018)

Esta é apenas uma pequena reflexão, não uma opinião fechada, fica como sugestão para pensarmos.

Se me perguntam o que é ser um fotógrafo(a), eu perguntaria primeiro de que tipo de fotógrafo estamos falando. Sei de pelo menos três tipos de fotógrafo(a) (mas claro que há outros, entre estes):

  • O apertador de botão: a pessoa que simplesmente faz fotos, quando quer registrar algo. 

  • O profissional: aquele que faz fotos como trabalho, não necessariamente apaixonado por isso, embora possa ser. 

  • O autor (ou amador): aquele que ama fotografia, que quer com esta forma de arte mostrar algo, traduzir o mundo, organizar o caos da vida pelo menos por um instante. Pode até vender fotos e ganhar dinheiro, mas o motivo para fotografar é a vontade de criar imagens, de contar alguma história. 

É sobre este terceiro tipo que posso falar. O primeiro eu nunca fui, por isso não sei o que dizer. O segundo já fui, mas sempre misturado com o terceiro. Pois bem, esse fotógrafo(a) para mim se define assim:

Pessoa que faz fotos usando o olhar de forma atenta. 

Mas todos olham não é? Será? Bom, então o fotógrafo(a) é aquele que vê mais, vê com atenção. Para o fotógrafo(a) as coisas não são coisas, são composições, lugares, pessoas, objetos, tudo está sempre compondo imagens, melhores ou piores, e o seu trabalho é justamente perceber quando surge algo interessante, estar atento à composição da realidade, sempre em movimento, e ir percebendo quando tudo se encaixa. Observar as sombras, a luz, os passos.  

O fotógrafo(a) está sempre relacionando a arquitetura e a vida em movimento, cores e texturas, percebendo os efeitos da luz. Ah, o fotógrafo(a) é uma pessoa que ama a luz, ama o sol, ama a chuva, ama tudo que faz a vida ser diversa. Ama as pessoas e admira as diferenças entre elas. O fotógrafo(a) não quer que as pessoas sejam iguais. 

Mas como ter esse olhar. Primeiro é preciso PACIÊNCIA, atenção, é preciso andar mais devagar, olhar mais demorado, escutar o som dos lugares, o que as pessoas dizem, às vezes fechar os olhos e sentir a brisa, é preciso andar a pé, mas também de ônibus, metrô, bicicleta. 

O fotógrafo(a) é uma pessoa que conta histórias, e para isso precisa de "vocabulários", então é preciso ler bons livros, ir a museus, conhecer lugares e pessoas. 

É preciso ter cultura, pois é a cultura que nos permite um pouco de domínio sobre o mundo à nossa volta. (Ortega y Gasset)

É preciso ter experiência, pois é o saber da experiência que nos ajuda a lidar com as questões da vida, saber quem somos no mundo. (Larrosa Bondía)

É preciso ter vivacidade, pois para ser capaz mostrar a vida, é preciso viver a vida intensamente. (Cartier-Bresson)

Passagens. Itália, 2019

(Yuri Bittar - Passagens. Milão, Itália, 2019)

Em resumo, melhoro a minha definição:

O fotógrafo, a fotógrafa, é alguém que, ao fixar um momento, criando uma imagem, está sempre em busca de colocar nesta todos os sentimentos, a beleza, a simplicidade, enfim, toda a vida do mundo, e nunca alcança isso definitivamente, por isso continua fotografando, sentindo que a cada imagem chega mais perto desse objetivo. 

  

Sobre o autor:

Yuri Bittar é fotógrafo desde 1998, designer (Mack) historiador (USP) mestre em Ensino em Ciências da Saúde e doutorando (UNIFESP). É instrutor de Mindfulness certificado pelo Mente Aberta Brasil, praticante de Fotografia Contemplativa desde 2012, tema sobre o qual desenvolve doutorado. Através da história oral, da fotografia, da literatura e outros recursos, tem buscado criar projetos mais próximos ao humano e que contribuam para a melhora da qualidade de vida.

"Acredito que a fotografia pode e deve estar presente no dia-a-dia, como trabalho, como expressão artística e como registro, e ainda como oportunidade para o relacionamento humano, para conhecimento e auto-conhecimento."

Site pessoal: www.yuribittar.com

Referências: 

BONDIA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras. Educ. [online]. 2002, n.19, pp.20-28. ISSN 1413-2478.  https://doi.org/10.1590/S1413-24782002000100003.

ORTEGA Y GASSET, José. Misión de la Universidad. Obras Completas. 2ª reimpresión, v. IV, Madrid, Alianza, 1994. 313-356 p.

CARTIER-BRESSON, Henri. O Imaginário Segundo A Natureza. GG, São Paulo, 2015.

 

 

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