Passagens: por terras de Itália (2020)

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Passagens: vol. 01 - Lançamento em breve! 


 

Passagens são pensamentos, mas também lugares. Passagens são sonhos e também possibilidades. Passagens passam, são finitas.  

O livro PASSAGENS será lançado em forma de zines, como se fossem fascículos, em 4 ou 5 parte, que juntas formarão o livro. 

Abaixo seguem os textos que continuam o livro:

11. Por onde passei:

(descrição das cidades e caminhos)

Milão

Milão é a segunda maior cidade, e a maior região metropolitana da Itália. Capital mundial do design e da moda, é uma cidade rica que mistura antigo e novo na arquitetura e no estilo de vida. A história da cidade é complexa, mas, só para se ter uma ideia, chegou a ser capital do Império Romano, foi a casa de Leonardo da Vinci por 10 anos, e sua catedral, o Duomo de Milano, além de uma das maiores e mais belas do mundo, foi local de coroação de Napoleão Bonaparte como rei da Itália.

Escolhemos o norte da Itália e mais especificamente Milão para nossa viagem pois tínhamos o convite de nossa amiga Pagu para ficar alguns dias na casa dela ali perto, mas, depois de comprarmos as passagens, descobri que Milão era a cidade natal de meu tataravô, que foi órfão e veio fazer a vida no Brasil, e nunca mais voltou para lá. De certa forma fiz a volta que ele nunca fez.

A cidade é perfeita para a fotografia de rua, arquitetura incrível, os trans, ou “bondes elétricos”, que estão por toda parte, as pessoas vestidas em estilos muito variados, carros, motos e bicicletas e uma sensação de segurança, mesmo sendo uma cidade grande. Entre as muitas belezas e oportunidades para boas fotos destaco o final do dia, o crepúsculo, aqueles momentos entre o dia e a noite, especialmente no centro da cidade ou no Navigli, o bairro dos canais, onde o pôr do sol cria cores incríveis.


Milão

Outro destaque é a linda e gigantesca estação de trens Milano Centrale, com 21 plataformas, assim como as estações de metrô. O Cemitério Monumentale, um museu de arte à céu aberto e o City Life, um bairro novo de escritórios são lugares incríveis e um pouco menos turísticos do que os conhecidos Duomo, Castelo Sforcesco e Scala di Milano.

Eu e a Clelma fomos confundidos com italianos várias vezes, em diversas ocasiões alguém se aproximava falando em italiano com a gente na rua, pedindo informações ou comentando algo. Achamos engraçado, mas ficamos muito felizes, isso permitiu que nos sentiremos um pouco mais integrados àquele estilo de vida. Certa ocasião, numa padaria do bairro onde estávamos em Milão, tivemos que tentar falar italiano pois nos bairros é mais difícil que alguém fale inglês, a funcionária, ou dona, perguntou de onde éramos, e disse que nosso italiano estava bom, mas sei que não estava, mas ela foi muito simpática.

Turim

Fizemos um “bate-e-volta” para Turim, a partir de Milão, no trem de alta velocidade, que viaja a 300 km/h, e só essa experiência já vale a viagem. Chega-se a Turim pela linda Porta Nova, a estação de trens absurdamente linda, e a partir dela se percorre todo o centro histórico a pé.

Como foi primeira capital do Reino da Itália unificada, entre 1861 e 1864, e antes era capital do Reino da Sardenha, em Turim tudo é "real". Além disso foi uma cidade fortemente industrial no século 20, sendo a sede da FIAT, mas agora é a capital verde da Europa. Adoramos a cidade, mas nos arrependemos de ficar lá apenas um dia, acho que valeria ficar uma semana.


Turim

Caminhamos bastante, o metrô não abrange o centro histórico, mas vale a pena andar, mesmo que fique um pouco longe, pois a cidade é plana, tem boas calçadas, tudo é lindo, limpo, com um estilo um tanto retrô e com mais cara de norte da Europa. Amei os incontáveis neons ficam incríveis nas fotos.

Destaque para as calçadas cobertas, também chamadas galerias. Na Via Pó são mil metros de cada lado sem interrupção, perfeitas para fotografar. O crepúsculo foi lindo também, estávamos na estação de trem, tem fotos aqui. Uma atração conhecida mas realmente imperdível é Museu Egípcio, o segundo mais importante do mundo.

Montaldeo e Piemonte

Montaldeo foi uma experiência no Piemonte profundo, um lugar tão pequeno no tamanho como grande na experiência. Trata-se de uma cidadezinha de umas seis ruas ao redor de um castelo e uma igreja. Nunca saberíamos dessa cidade se não tivéssemos sido convidados pela nossa querida amiga Pagu. Deixamos para ficar lá no meio da viagem, talvez para descansar. Feliz engano, além de conhecer toda cidade, dali partimos para conhecer um pouco de Ovada, Tagliolo Monferrato, Lerma, Serravalle Scrivia e inúmeros outros lugares por onde passamos. Isso mesmo com bastante chuva naqueles dias. Visitamos o sítio arqueológico de Libarna, vimos o forte de Gavi e fomos a alguns castelos. Essa região merece uma viagem mais caprichada. Castelos, vilas, vinhedos, são cenários de filme, e a cada quilômetro há um surpresa.

Para o que interessa neste livro, o melhor foi Ovada, cidade onde passamos uma tarde que começou com chuva e terminou com sol. Tem várias fotos de Ovada aqui.

 
Ovada                                            Montaldeo

Brescia e Palazollo Sull’oglio

Queríamos visitar a cidade natal de minha tataravó Carolina, Palazollo Sull'oglio, que é bem pequena, então procuramos uma cidade maior por perto, e resolvemos ficar na capital da província de Brescia, cidade de mesmo nome. Depois de marcada a viagem descobri que quando bebê morei lá.

Brescia é uma cidade linda, grande para o padrão italiano, com uns 188 mil habitantes. Tem vários atrativos turísticos, como ruínas romanas e museus, é uma das capitais automobilísticas da Itália por ser a sede da Mille Miglia, uma corrida que acontece desde 1927, mas que atualmente é só de exibição.


Brescia

Tem ainda algo particularmente interessante para mim, é a menor cidade com metrô no mundo, com 17 estações em uma linha, que foi inaugurada há pouco tempo, em 2017. É um sistema bem atual, estações bonitas e sem catracas, se válida o bilhete em totens e se entra no trem sem um controle físico. Como adoro fotografar em transporte público, fiz a festa. Ainda tem a estação de trens, que é um importante entroncamento.

A cidade também é incrível para se caminhar, tem ruas planas, com exceção do Castelo, e muitos lugares interessantes para descobrir, como museus, prédios antigos, ruelas, restaurantes, lojas e muito mais.

Deslocamentos:

Viajamos principalmente de trem e muitas fotos que aparecem aqui são desses deslocamentos por vias férreas. As viagens de trem foram:

● Aeroporto de Malpensa - Milão
● Milão - Turim - Milão
● Milão - Brescia
● Brescia - Palazollo Sull'oglio - Brescia
● Brescia - Milão - Malpensa

De carro fomos para Montaldeo, com um veículo alugado, e passeamos pelo Piemonte de carona com nossa querida amiga Pagu.

Nas cidades caminhamos muito, e usamos muito transporte público, principalmente metrô, mas também andamos muito de ônibus e trans.

 


Milão


Brescia