Como nasce um fotógrafo?
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Estive pensando em como me tornei fotógrafo, em como a imagem se tornou parte essencial da minha vida. Fotografia é uma das minhas paixões e penso que, se pudesse fazer apenas uma coisa, seria fotografar. Às vezes não fotografo muito, mas não por falta de vontade, mas sim por falta de tempo. Mas mesmo assim não deixo de exercitar o olhar e fotografo quase todo dia, senão por trabalho, por prazer, curiosidade.
Esta é a 1ª fotografia que fiz com intenção de ser fotógrafo. Feita em 1997, foi o primeiro exercício do curso de fotografia dentro da faculdade de design. A proposta era apenas sair na rua e fotografar. Falei com esse mulher, moradora de rua, e ela deixou que eu a fotografasse em frente a igreja da Consolação. Fotografei com cromo e ficou estourado.
(artigo revisado e re-publicado)
Tenho pensado nos motivos que nos levam a querem registrar uma imagem, e o que leva uma pessoa a fazer disso sua principal atividade ou um hobby constante. Acabo chegando á pergunta; como nasce um fotógrafo? Vou falar do meu caso então...
Ao contrário de muitos colegas, não me interessei pela fotografia muito cedo. Na minha família sempre havia uma “maquininha” por perto e sempre registramos nossas viagens e passeios. Eu mesmo tirava fotos de vez em quando, mas de maneira desinteressada, sem pensar no que fazia. Eu demorei muito para querer uma câmera para mim. Foi assim até o dia em que senti falta da fotografia, no dia em que me deparei com uma situação que merecia muito ser registrada, mas não havia uma câmera.
Foi numa viagem que fiz, quando tinha uns 16 anos, pela serra do mar, de São Paulo até Itanhaém, a pé! Uma viagem muito legal, de dois dias imersos na mata atlântica. Fomos em mais ou menos 20 pessoas, e acredite, ninguém levou uma câmera. Passamos por lugares lindos, em especial uma piscina natural, de uns 4 metros de profundidade, e uns 5 de diâmetro, com uma pequena cascata, e uma água tão transparente que era praticamente invisível, um dos lugares mais bonitos que eu já vi, e que ficou apenas na minha memória. Também tivemos contato com uma tribo indígena, onde muitos habitantes não falavam o português e encontramos também um soldado do exército, sozinho, fazendo teste de sobrevivência, passando dias na mata apenas com uma faca. E mais ainda outros lugares incríveis e muitos animais. Bom, resultado disso é que passei a viagem toda me lamentando e cheguei a conclusão de que deveria ter uma câmera.
Não muito tempo depois disso, consegui comprar uma maquininha da Kodak, uma Star 535, até boa para os padrões amadores da época pois era automática, ou seja, o filme “avançava sozinho”, mas não tinha nenhum ajuste, e com ela fiz fotos muito legais por alguns anos.

Kodak Star 535 - minha primeira câmera (comigo até hoje)
Com 18 anos fiz uma viagem para São Francisco do Sul, em Santa Catarina, e fiz algumas fotos que achei muito boas na época, e que me despertaram a vontade de fazer isso cada vez mais, e depois de alguns elogios, me surgiu a idéia de ser fotógrafo.

São Francisco do Sul - SC - Baia da Babitonga 1997
Foto feita com a Kodak Star 535, minha primeira câmera, em 1997
Depois disso entrei na faculdade de Design, tive 2 semestres de fotografia, em 1997, quando comprei uma Zenit 212k , e em 1998 trabalhei como fotógrafo de uma pequena revista, onde conheci a fotografia digital. Entre 1999 e 2004 trabalhei com eventos, tal como casamentos e aniversários. A principal câmera que usei nessa época foi a Canon EOS Rebel XS.

Lú e os Pontos de Luz - feita na faculdade, uma das primeiras...
(foto batida, revelada, ampliada... e riscada, por mim)
Entre 2004 e 2007 praticamente abandonei a fotografia e trabalhei principalmente como designer e historiador. Em 2007 dirigi um curta-metragem documentário, dentro do curso de história na USP (minha segunda faculdade), que acabou me levando de volta a fotografia, fiz então uma série sobre moradores de rua, que culminou em na exposição Visões da Cidade Fragmentada em 2009. Por causa desse filme fui convidado a dar um curso de fotografia na UNIFESP em 2008.

Coleçãozinha - Algumas de minhas câmerazinhas velhas:
Canon EOS Rebel GII (analógica)
Objetiva: Canon EF 55-200 II USM
Canon Power Shot A470
Kodak Star 535 9minha primeira, em 1993 acho)
Canon EOS Rebel XS
Jorge, um vira-lata quase branco
A partir desse curso surgiram outros (tem um neste domingo) e as Saídas Fotocultura , que se tornaram uma coisa muito legal. Hoje faço mestrado em ensino e tenho desenvolvido o uso da fotografia como instrumento para um ensino voltado à humanização em saúde, que deve ser também o tema do meu doutorado.

Turma do Curso A Fotografia de Rua em 03/07/2011, nas ruas de São Paulo, e como nas outras edições foi bem produtivo, com uma turma muito legal, e nunca uma rotina.
Atualmente tenho fotografado muito, nas saídas, cursos, projetos artísticos... Acabei me especializando em fotografia de rua, e a fotografia acabou impregnando minha vida e é raro um dia em que eu não faça algumas fotos!
Sei que muitos colegas meus começaram de outras maneiras, por exemplo, ao ver uma boa fotografia, ou porque tinha algum parente fotógrafo, etc. Mas o importante, é que, num certo dia, a fotografia nos pega, e depois não larga mais. Creio que uma vez fotógrafo, ninguém deixa de ser fotógrafo.
Até mais e fotografem sempre !
Yuri Bittar
www.yuribittar.com





















